Segurança e envelhecimento: oficina no CRAS Norte aborda preparação para eventos climáticos extremos

19/10/2026

Como proteger a população idosa diante de chuvas intensas, enchentes e deslizamentos? E como garantir que as informações preventivas cheguem a quem mais precisa delas? Essas questões orientaram a oficina Segurança e Envelhecimento em Tempos de Eventos Climáticos, realizada pela Dra. Michelle Clos no dia 19 de outubro, no CRAS Norte, em Porto Alegre.

A atividade reuniu cerca de 28 participantes em um encontro que articulou conteúdos teóricos, exercícios práticos e reflexões sobre os desafios enfrentados pelas pessoas idosas em situações de emergência climática. A proposta foi ampliar a compreensão sobre os riscos, fortalecer a capacidade de preparação individual e contribuir para a construção de estratégias de proteção diante de possíveis novas ocorrências.

A oficina integra os resultados da pesquisa "Impacto social, medidas de apoio pós-desmobilização e avaliação de políticas públicas de proteção à população 60+ no contexto de desastres climáticos", financiada pelo Itaú Viver Mais e pelo Portal do Envelhecimento.

Da experiência da enchente à preparação para novas emergências

As experiências vivenciadas durante as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul evidenciaram a importância de fortalecer as estratégias de prevenção, comunicação e proteção da população idosa em contextos de desastres.

Entre os resultados identificados pela pesquisa, destaca-se a dificuldade de fazer com que informações preventivas cheguem de maneira acessível e efetiva ao público com 60 anos ou mais. A comunicação antecipada é fundamental para que as pessoas possam compreender os riscos, identificar alternativas e tomar decisões com maior segurança antes que uma emergência se agrave.

Diante desse cenário, a oficina foi desenvolvida com foco na elaboração de planos individuais de contingência. Por meio de atividades orientadas, os participantes foram convidados a refletir sobre suas condições de moradia, suas redes de apoio, os recursos disponíveis e as providências necessárias diante de uma situação de emergência.

O objetivo é transformar a informação em uma ferramenta concreta de preparação, considerando as particularidades de cada pessoa, suas condições de vida e os apoios de que dispõe. Um plano individual pode ajudar a organizar contatos importantes, identificar locais seguros, prever necessidades específicas e definir estratégias para buscar ajuda em situações de risco.

A proposta também valoriza o protagonismo das pessoas idosas, reconhecendo-as como participantes ativas na construção de suas próprias estratégias de proteção, sem desconsiderar a responsabilidade do poder público na prevenção, na resposta e na garantia de direitos.

Reconhecer os apoios recebidos após a enchente de 2024

Além de trabalhar a prevenção de futuras emergências, a atividade buscou mapear os apoios recebidos pelos participantes após as enchentes de 2024.

Essa escuta contribui para compreender como as pessoas idosas vivenciaram o período posterior à emergência, quais recursos e serviços estiveram disponíveis e quais dificuldades permaneceram após a desmobilização das estruturas emergenciais.

Conhecer essas experiências é importante para avaliar a efetividade das respostas oferecidas, identificar lacunas na proteção social e produzir subsídios para o aprimoramento das políticas públicas voltadas à população idosa em situações de desastre.

A oficina, portanto, articulou duas dimensões complementares: aprender com as experiências passadas e construir condições mais seguras para enfrentar possíveis eventos futuros.

Envelhecimento, mudanças climáticas e garantia de direitos

A proteção da população idosa diante de eventos climáticos extremos precisa integrar as políticas públicas de assistência social, defesa civil, saúde, habitação e proteção de direitos. Também exige estratégias de comunicação acessíveis, redes de apoio articuladas e atenção às necessidades específicas de cada território.

Preparar-se para uma emergência não pode ser uma responsabilidade exclusivamente individual. Embora os planos de contingência contribuam para ampliar a autonomia e a capacidade de resposta, é indispensável que existam serviços públicos preparados, informações confiáveis, mecanismos de alerta eficientes e redes de proteção capazes de atuar antes, durante e depois dos desastres.

A experiência realizada no CRAS Norte reafirma a importância de aproximar a pesquisa acadêmica das práticas de intervenção social, transformando conhecimentos produzidos em instrumentos que possam contribuir para a segurança e a qualidade de vida da população idosa.

Para a Senescentis, promover a longevidade também significa construir estratégias de prevenção, fortalecer redes de apoio e contribuir para políticas públicas que protejam a vida e garantam direitos, especialmente em contextos de vulnerabilidade socioambiental.

Senescentis — Soluções criativas em políticas sociais e longevidade.

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